Movimentos Sociais Pauta Nacional

Por que 28 de junho é o Dia do Movimento LGBTQIA+?

Há 51 anos, no dia 28 de junho de 1969, a comunidade LBGTQIA+ na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, enfrentou a opressão policial e foi às ruas na luta por seus direitos civis. No ano seguinte, como marco do movimento, tem início a realização da Parada Gay em diversas cidades.

Antes de prosseguirmos, chamamos atenção, como se pode notar, para a ampliação da sigla LGBT, à qual foram acrescentadas novas letras para representar as pessoas que não se veem contempladas em sua orientação, seja como heterossexual, seja com as definições postas nas siglas anteriores. Dessa forma, o uso corrente atual vai na direção de promover ainda mais a inclusão de grupos que antes não se sentiam representados pelo movimento que nasceu nos Estados Unidos na luta contra a violência policial direcionada a gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros entre outros. Assim, atualmente a sigla significa

L, lésbicas;

G, gays;

B, bissexuais;

T, transgêneros ou transexuais;

Q, queer (transitam entre os gêneros masculino e feminino);

I, intersexo (indefinição biofísica do gênero, antes chamada pejorativa e preconceituosamente de hermafrodita);

A, assexual (sem atração por outra pessoa independente do gênero);

+, para contemplar as pessoas que não se sentem representadas por nenhuma dessas orientações que foge, ainda, ao padrão binário masculino/feminino.

Voltando a StoneWall

Como mostra da necessidade de visibilidade das pessoas das mais variadas orientações, a ideia geral que se tem é que o movimento deflagrado na cidade de Nova York teria sido detonado pelos homens gays. Na verdade, duas figuras centrais no movimento foram Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, transexuais, a primeira negra e a segunda, latina.

Por que “Orgulho”? Por que não “Orgulho hétero”?

Basicamente, porque é um sofrimento ter vergonha de quem se é.

No caso hétero, não faz sentido defender ter orgulho de uma identidade que não sofre qualquer tipo de questionamento, ameaça ou ataque.

O Brasil, um dos países que mais matam por orientação/identidade de gênero, essa reafirmação não apenas é necessária como urgente, devendo ainda contar com o apoio dos que não militam na causa, por questão de humanidade. Eis a importância do movimento LGBTQIA+ hoje.

Até os anos 1960, vigoravam em diversos estados dos EUA leis que consideravam a homossexualidade como crime. A partir daí, alguns locais começaram a derrubar essas normas. Não era o caso de Nova York em 1969.

O bar Stonewall Inn era ponto de encontro destes grupos marginalizados.

Matéria da BBC Brasil registra:

“Diferentemente de outros lugares que também recebiam o público LGBT na cidade, ali a maioria dos frequentadores eram jovens da periferia, sem-teto (muitos que haviam deixado suas famílias por causa de preconceito, segundo relatos em livros) e drag queens.

A polícia fazia vista grossa ao estabelecimento porque seus donos, que tinham relação com a máfia, pagavam propina para que ele funcionasse. Estes donos também aproveitavam para chantagear os frequentadores famosos ou com mais dinheiro.

O local não tinha licença para a venda de bebida alcoólica e não respondia a uma série de outras regulamentações como ter saída de emergência. E várias batidas policiais estavam sendo feitas em bares naquela época, principalmente para controlar quem podia vender álcool.

Na madrugada do dia 28 de junho de 1969, a polícia resolveu fazer mais uma batida no bar. Era a terceira vez em um espaço curto de tempo que policiais faziam essa ação em bares gays daquela área.

Nove policiais entraram no local e, sob a alegação de que a venda de bebida alcoólica era proibida ali, prenderam funcionários e começaram a agredir e a levar sob custódia alguns frequentadores travestis e ou drag queens que não estavam usando ao menos três peças de roupa “adequadas” a seu gênero, como mandava a lei.

Treze pessoas foram detidas. Algumas, ao serem levadas para a viatura, decidiram provocar os policiais fazendo caras e bocas para a multidão. A polícia então começou a usar de mais violência para fazê-las entrar nos carros.

A partir daquele momento, a multidão fora do Stonewall Inn começou a jogar moedas nos policiais e, em seguida, garrafas e pedras. Também tentaram virar de cabeça para baixo uma viatura.

Os policiais fizeram uma espécie de barricada para se defender dos manifestantes e acabaram sendo encurralados dentro do bar.

Alguém atirou um pedaço de jornal com fogo dentro do Stonewall Inn, e começou um incêndio. Os policiais, que usavam uma mangueira para conter as chamas, decidiram também usar aquela água contra a multidão.

A partir deste momento, parte da comunidade gay de Nova York, que até então se escondia, foi às ruas protestar nos arredores do Stonewall Inn durante seis dias”.

Esse é um marco na luta por direitos civis e um exemplo de que a unidade dos segmentos explorados encurrala os adversários, por mais poderosos que possam parecer.

Para marcar e se inspirar nas lutas populares que, mesmo em meio à pandemia tem pressionado contra o autoritarismo, a violência estatal, o racismo, que tem vitimado milhares, o Sintrajufe ilustra esta matéria com os símbolos das lutas antirracista, antifascista e anti-LGBTfóbica. Que aprendamos com quem tem resistido e defendido sua própria existência a, também nós, defendermos nossos direitos! Um sindicato que defende o trabalhador luta também contra todo tipo de opressão.

Confira nos links:

Portal Geledés:

Antirracismo é o núcleo central da luta antifascista no Brasil

Esquerda Diário:

Stonewall Foi uma Revolta

As estrelas de Stonewall: trans, negras, latinas, revolucionárias

Medium:

A história de Sylvia Rivera, a ativista trans que atuou na rebelião de Stonewall

BBC Brasil:

50 anos de Stonewall: saiba o que foi a revolta que deu origem ao dia do orgulho LGBT

Superinteressante:

O que foi a Rebelião de Stonewall?

Hypeness:

Como a revolta de Stonewall, em 1969, empoderou o ativismo LGBT para sempre

Brasil De Fato:

O que significa ser antifascista e por que o bolsonarismo é o fascismo do século 21