Luta contra as reformas Pauta Nacional

Nova presidente do TST defende ampliação da reforma trabalhista que retira direitos e diminui JT

Eleita pelos demais ministros do Tribunal Superior do Trabalho no último dia 9 de dezembro, a ministra Maria Cristina Peduzzi comandará o Tribunal por dois anos a partir de 19 de fevereiro do ano que vem. Em entrevista à Folha de SP nesta segunda-feira, 16, ela disse, segundo o jornal, que “a reforma trabalhista foi tímida e que a CLT precisa de mais atualizações”.

Dessa forma, a corte retomará a defesa de medidas do Executivo que prejudicam os trabalhadores que deveria defender, a exemplo do que aconteceu fortemente durante o mandado do ex-presidente Ives Gandra Filho, que comandou o TST sob Temer e ficou marcado pela defesa da reforma proposta à época que, em vez de criar empregos, retirou direitos e precarizou ainda mais o mundo do trabalho.

Entre as defesas que faz, constam o trabalho intermitente, o fim da folga aos domingos, pois, segundo ela, caminhamos para não mais distinguir o dia de descanso dos demais dias. Ainda defendeu o teletrabalho e a adaptação da legislação ao que considera ser uma “revolução tecnológica”, ainda que isso aponte para maior precarização das relações de trabalho: “Precarização pode haver”, reconhece, sem apontar como a Justiça do Trabalho, que teria o dever de procurar evitar esses prejuízos aos trabalhadores, deve atuar nesse sentido.

Para ela, uma nova reforma, que está sendo trabalhada pelo governo Bolsonaro – inclusive com participação da corte -, deve ser aplicada pelos juízes. Segundo ela, a perda de postos de trabalho advinda dessas “necessárias adequações”, no seu entender pode ser compensada com o surgimento de novas modalidades, que infelizmente não é o que se verifica.

Com o que aponta a nova presidente do TST, concordando com medidas que podem também significar o enfraquecimento da Justiça especializada que comandará, fica também a indicação de que tanto trabalhadores do setor privado quanto servidores, especialmente os da Justiça do Trabalho, deverão unir forças para resistir a ataques orquestrados pelos poderes contra seus direitos.

Confira no link a seguir a íntegra da entrevista com Cristina Peduzzi publicada nesta segunda-feira:

2019 – Mercado – Folha

Ilustração desta matéria: site Conversa Afiada

Maria Cristina Peduzzi é ministra do TST (Tribunal Superior do Trabalho) desde 2001 em uma das vagas da advocacia, na qual atuou por 27 anos. Nascida no Uruguai, é brasileira nata. Estudou direito na UnB (Universidade de Brasília), onde fez mestrado em direito, estado e constituição – Foto: Pedro Ladeira/Folhapress Legenda: Folha de SP