Movimentos Sociais

Mobilizar para impedir veneno nas mesas dos brasileiros

No dia 25 de junho a Comissão Especial formada por ruralistas representantes do agronegócio (defendidos pelas redes de televisão que propagandeiam que o “agro é pop” quando, na verdade, o ministério do Desenvolvimento Agrário informava, em 2015, que 70% da comida em nossas mesas vem da agricultura familiar rural, que produz comida e não commodities), conseguiu aprovar o PL do Veneno, depois de muita tensão e resistência. Agora, a proposta segue para o Plenário da Câmara.

As novas regras previstas no texto que substitui o atualmente em vigor abrem caminho para que mais produtos cancerígenos sejam derramados sobre os alimentos. Daí porque é urgente a sociedade se manifestar contrária à proposta. A Organização das Nações Unidas já apontou que essas mudanças violam os direitos humanos dos brasileiros (veja aqui). Nada, contudo, até o momento, foi capaz de arrefecer as intenções dos defensores da proposta.

Também pudera: o texto inicial dessa liberação do veneno nasceu do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP/MT), conhecido como o rei da soja, o que aponta seus claros interesses pela aprovação da matéria. O relator do substitutivo, deputado Luiz Nishimori (PR-PR), está por trás de empresas que vendem venenos agrícolas. Fosse um Congresso decente, eles estariam impedidos de legislar sobre temas de seus interesses.

Não bastasse isso, a chamada Bancada do Boi no Congresso (ruralistas) ainda tenta limitar o acesso da população aos orgânicos, livre de agrotóxicos. O mesmo deputado Nishimori que tenta liberar mais veneno, é também o relator de um texto que, segundo ele, busca evitar fraude na venda de orgânicos, mas apresenta entraves para pequenos produtores que ofertam este tipo de alimento, impondo seus cadastros em órgãos de controle, de um lado, enquanto o veneno fica livre, do outro. Na verdade, o pacote todo sobre o assunto constitui um verdadeiro projeto de morte, em vias de ser aprovado, caso a sociedade não se mobilize. Para se ter uma ideia, em vez de liberar mais veneno, é urgente que se restrinja ainda mais seu uso: atualmente, o Brasil já despeja cinco mil vezes mais produtos tóximos sobre a mesa se compararmos com os europeus (veja aqui).

O que fazer

Além de contestar as informações que a todo instante pulam na tele da televisão sobre o assunto, buscar mais informações é necessário.

O Sintrajufe já disponibilizou, e volta a fazê-lo, link de abaixo-assinado para que seus filiados participem e também compartilhem, mostrando desaprovação ao PL do veneno. Até esta sexta-feira, 13 de julho, cerca de um milhão e meio de pessoas já assinaram. É necessário que essa mobilização cresça.

Também é importante pressionar pela aprovação de um projeto que restrinja o uso do veneno para produção de alimentos, e já tramita uma proposta nesse sentido, oposta a que agora vai ao Plenário da Câmara (veja o conteúdo aqui)

Para acessar e assinar o Chega de Agrotóxicos, clique aqui (lá é possível também ter acesso a mais informações sobre o tema).

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